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REINOTECA

Priorizando o Reino de Deus

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Mon05212012

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Inventário de uma vida ou meus trinta e oito anos

Hoje é um dia especial em minha vida.

Aliás, como dizia minha querida amiga Lúcia Nogueira, uma das capelãs no Hospital das Clínicas, da equipe da Missionária Elení, "Cada dia é um milagre de Deus".

Mas 03 de setembro tem um colorido muito especial.

Em 1965, na maternidade do Hospital São Joaquim, na Real e Benemérita Sociedade Portuguêsa de Beneficência, no bairro da Liberdade, capital de São Paulo, às 04:30 da madrugada, eu vinha ao mundo, lançando no ar o meu primeiro choro, o meu primeiro gemido, primeiro de muitos. E, certamente, ao ser limpo e aquecido, esbocei nos lábios o primeiro sorriso também.

A grande questão ao longo dos últimos 38 anos que se passaram é: para que foi que eu nasci? Para que eu vim ao mundo? Talvez a vida humana seja uma constante busca de resposta a essa mesma indagação. Pobres são aqueles que só descobrem isso tarde demais. E, às vezes, nunca descobrem!

Logo na infância eu já manifestava grande anseio religioso. Benzia as pernas das minhas tias, mantinha um oratório na estante de casa, guardava água benta na geladeira. Aos 9 anos era coroinha da Igreja Nossa Senhora do Rosário, em Vila Pompéia, e aos 11 rezador de terços das missas das 18 horas, todos os dias da semana. Aos 13, fora da igreja, procurei no centro espírita resposta ao vazio da alma, e, aos 14, em 24 de fevereiro de 1980, encontrei Jesus Cristo, convertendo-me a Ele, através da pregação do Pr. Timofei Diacov, na Igreja Batista de Sumerezinho, SP. E a minha busca terminou ali. Encontrei-O. Encontrei-me também.

De lá para cá eu só tive um objetivo: servir a Jesus. E, no leito de morte, aos 17 anos, quando os médicos não davam nenhuma esperança de sobrevida, talvez algumas horas apenas, por gravíssimos problemas cardíacos, dediquei o meu futuro a Cristo. Resultado: 21 anos se passaram desde aquela oferenda viva. E, bendito seja Deus, ela foi aceita no altar do Altíssimo.

Quais são hoje os meus bens?

Materialmente falando, não muitos. Tenho o meu carro do ano (de 1995), que me serve de condução por todo canto. Moro com minha querida e idosa mãe em Vila Pompéia, capital paulista. Tenho os livros que acumulei nos últimos 20 anos (e alguns que meu velho pai deixou-me). Tenho discos, fitas e CDs diversos. 5 ternos que servem e umas 15 camisas. Tenho uma boa cama de solteiro, um guarda-roupas e vários, vários álbuns de fotografia. Fora isso, não sei se tenho algum outro bem patrimonial.

Mas nem só de bens físicos se forma o patrimônio de uma vida. Eu tenho algo muito mais precioso que isso : tenho MEMÓRIA!

Ah, essa dádiva de Deus, que ora serve de anjo celestial e em outros momentos de demônio desolador de tempestuosas lembranças! Sou agraciado, pois, por ter buscado servir ao Senhor nos dias da minha mocidade, terei muita coisa boa de que lembrar quando velho ficar, se ficar, e se viver até lá.

Também tenho amigos, muitos amigos! Amigos de perto, amigos de longe. Amigos constantes, amigos casuais. Amigos-cúmplices, amigos-consultores. Quantas pessoas já passaram pela minha vida! Lembro-me do Professor Sinval. Que saudades! Ao ler o meu primeiro caderno de poesias, quando eu tinha 9 anos de idade, escreveu-me no frontispício do mesmo: "Wagner, o poeta já nasce poeta; o orador se fez. Siga a sua poesia!" Palavras que valeram por toda uma vida!

Tenho amigos nas igrejas onde fui membro, onde fui evangelista e onde fui pastor. Tenho amigos por onde passei, por onde preguei, onde me hospedei. Tem jovens que me encontram hoje e dizem: "pastor, foi você que me apresentou a Deus quando eu nasci!" E eu choro, sim, choro de gratidão a Deus, como Simeão que, ao ver o rebento de Deus nos braços de José e Maria, disse, agradecido: "Agora despede em paz o teu servo". Sim, eu tenho várias moças e moços que vi nascer.

Tenho amigos na internet, essa VIA ÁPIA e PAX ROMANA do século XXI, que tanto pode levar o Evangelho aos confins do Universo quanto perverter o mais consagrado santo, dependendo da forma de ser usada. E eu tenho sido abençoado por ela! Quantas moças, quantos rapazes, quantos amigos, quantos obreiros, quantas vidas eu já pude conhecer! Agora, especificamente, quando vivo um momento especial em meu ministério, à frente da Igreja Batista Boas Novas, tenho visto pessoas e mais pessoas tomarem sob seu próprio encargo a ajuda "aos irmãos de Jerusalém", fortalecendo em oração e em sustentos a pequenina Boas Novas. E isso se chama amizade!

Tenho o privilégio de ser pastor batista. Os meus amigos sabem de minha profunda e enraizada convicção doutrinária e me respeitam por isso. Também os respeito por serem e crerem no que crêem e como crêem. Componho o corpo de pastores batistas da Convenção Batista Brasileira, e isso muito, muito me honra!

Também sou um abençoado: 692 púlpitos! Sim, eu contei cada púlpito, cada igreja, cada congregação, cada missão, cada lar em que pude pregar a Palavra de Deus. O Senhor me agraciou com 692 lugares diferentes onde já preguei o evangelho (só contei a primeira visita). Lembro-me de uma igreja na roça, uma igreja presbiteriana, quanta saudade! Lembro-me de uma vigília numa assembléia de Deus nas montanhas de Paraisópolis, povo simples, da fazenda! Estava tão frio às 02 da madrugada, paramos de orar e fomos na Casa Grande, onde um leite quente, recém-saído da vaca, nos aguardava, ao lado de suculentos pães de queijo e bons-bocados! Lembro-me do último congresso dos jovens batistas da Zona Norte da capital paulista, com seus 600 participantes. Cada culto uma lembrança. Cada igreja uma saudade. Cada oportunidade uma pedra preciosa no bojo de minhas recordações, doces e sublimes!

Deus me deu um irmão maravilhoso, Daniel, jovem seis anos mais novo que eu, rapaz de fibra, que ama a Jesus, e cuja presença ao longo dos meus dias tem sido um bálsamo de Gileade. Deus me deu uma mãe heroína, valiosíssima, singela, sorridente, emotiva e cheia de fé. É a vovó da Igreja Batista da Pompéia, que nunca abandona os "netinhos", mesmo não podendo mais se locomover. Deus nos deu a Milú, empregada que é mais que irmã. É o esteio de nossa casa. Deus me deu você, leitor amigo, que sempre gasta tempo lendo os rabiscos de um pastor notívago, emotivo e cheio de sonhos.

Aliás, sonhos que ainda poderão tornar-se realidade. Talvez eu já tenha passado da metade de minha vida, talvez não reste mais que um terço. Talvez. Só Deus sabe. E o que mais quero da vida?

Ah, querer! Já dizia Napoleon Hill em seu livro "A Lei do Triunfo": Querer é Poder - é certo que nem sempre é válida a frase. Mas em outros casos é.

Quero viver cada dia para Jesus, e, por causa disso, gastar-me em prol das pessoas que cruzarem o meu caminho. Quero abençoar cada próximo que cruzar o meu caminho, que chegar ao meu e-mail, que for alcançado pela minha voz no rádio, no jornal e pessoalmente.

Quero ver o Padre Zezinho crendo com fé evangélica, o Sílvio Santos rendido ao Deus testemunhado pela sua filha frente às câmeras de TV e o Brasil anunciar finalmente que mais de 50% da população é cristã e evangélica.

Quero ver a Igreja Batista Boas Novas ter um terreno, ter um templo, formar uma escola para os filhos dos membros, ter uma perua Kombi para buscar os idosos para participarem dos cultos, quero ver uma igreja crescente, mas cheia de comunhão! Quero ver um povo alegre, cheio de vida, entusiasmo, cheio de crianças, com um coral e uma orquestra! Sim, como eu quero!


Quero que Cristo cresça e que eu diminua. Sempre. Quem sou eu sem Jesus? Uma sombra, um conto ligeiro. Mas com Jesus eu posso ser útil. Quero estar dia a dia com Jesus.

Também quero ser pai. Quero acalentar nos meus braços o meu querido Jason, fruto do vigor da minha vida, seja filho natural ou adotivo, tanto faz. Quero ter Eva ao meu lado e não ser mais um Adão sem "paraíso", com tanto para partilhar e com ninguém para repartir em profundidade! Quis Deus que ainda esse momento não chegasse em minha vida. Não faz mal. É melhor um dia abençoado com a vontade do Senhor do que mil dias em rebelião e tristeza. Prefiro assim.

E, se o Senhor quiser-me só, e quiser-me por pouco tempo, tencionando levar-me às mansões celestes em breve, eu irei feliz e jubiloso, sabendo que "combati o bom combate, terminei a carreira e guardei a fé". Só Ele sabe quando a nossa carreira deve acabar. Não quero ter os 15 anos adicionais de Ezequias, mas também não quero ir antes da hora. Assim, enquanto vida existir em minhas veias, "esquecendo-me das coisas que para trás ficam, " prosseguirei para o alvo, olhando para Jesus.

E a você, gentil leitor, muito obrigado pelo amor, pela estima e pelo carinho.

Wagner Antonio de Araújo,
38 anos
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Resenha de livros

Cada um deveria ler a Bíblia, e cada um teria um entendimento diferente da Sagrada Escritura, negando-se, assim, que haja realmente um sentido objetivamente verdadeiro e desejado por Deus. Nega-se, desse modo, que haja "uma só fé". Deus teria feito a Bíblia como uma "Obra Aberta": ela teria milhares de sentidos possíveis, todos possivelmente verdadeiros, mas nenhum exclusivamente verdadeiro e único.

Você não pode deixar de ler este artigo: Leia a Bíblia!