A música na igreja
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- Publicado em Sexta, 11 Abril 2008 09:38
- Escrito por Super User
A música está ligada à vida religiosa desde os tempos do Velho Testamento. Já nos primeiros descendentes de Adão e Eva vemos pessoas capacitadas especificamente para a arte da música (Gn. 4.21). Quase sempre, a música está ligada ao ato de louvor, mas pode ser também usada para conduzir a um estado de contemplação, como na preparação para o culto (prelúdios), para a oração silenciosa, para a Ceia do Senhor, e após o culto, antes de sair do Templo (postlúdios).
É fato comprovado que diferentes tipos de música levam a diferentes estados psicológicos: há músicas que excitam, músicas que acalmam, músicas que despertam, músicas que ajudam a dormir, etc. (Este conhecimento levou inclusive ao desenvolvimento da musicoterapia, em que a música é usada como coadjuvante no tratamento de várias doenças). Uma música suave, bem executada por um ou mais instrumentistas e/ou cantores, ajuda a nos aproximarmos de Deus com mais vontade e inspiração.
Na Palavra de Deus temos muitas exortações ao uso da música. O livro dos Salmos está repleto de chamados ao cântico e ao uso de instrumentos musicais (Sl. 147.1,7; 149.1,3; 150.3-5, etc.).
Vemos também na Bíblia que o exercício da atividade musical era encarado muito seriamente, com responsabilidade (1 Cr. 25.6,7; Sl. 33.3)
Neste estudo procuraremos aplicar estes ensinamentos da Palavra à realidade atual da nossa vivência eclesiástica.
TIPOS DE MÚSICA NA IGREJA
1. Instrumental
Durante muitos anos, a Igreja Presbiteriana usou apenas instrumentos de teclado: o órgão, preferencialmente, e o piano. Havia a noção equivocada de que os demais instrumentos eram de origem "pagã", e portanto deviam ser excluídos do culto. Esquecia-se que o mundo é que "pega emprestado" as coisas de Deus, que é Soberano e Senhor de tudo (Salmo 24.1). Nas duas últimas décadas, porém, temos tido uma variação maior de tipos de instrumentos musicais usados, introduzidos principalmente pelos elementos mais jovens, e de modo bastante saudável. A Bíblia nos mostra vários exemplos de uso de instrumentos de diversos tipos na adoração e louvor (1 Sm. 10.5; 2 Sm. 6.5; Sl. 150.3-5).
A música instrumental pode ser executada isoladamente (prelúdios, interlúdios e postlúdios), ou para acompanhamento dos cânticos da congregação ou dos grupos vocais da igreja.
Naturalmente não temos na maioria das nossas igrejas instrumentistas de altíssimo nível técnico. Espera-se, porém, que as pessoas que participam da música na Igreja cuidem de aperfeiçoar-se sempre, através de cursos em conservatórios, escolas de música ou professores particulares. Nas igrejas com melhor condição econômica, sugerimos dar auxílio financeiro a membros que, tendo talento e interesse em aprender, não possuam recursos para tal.
2. Vocal
É a participação da congregação ou de grupos da igreja através do canto. Consideraremos 2 tipos de música vocal na igreja:
a) Canto da congregação: Não requer nenhum preparo especial de quem vai cantar: apenas o aprendizado dos hinos e cânticos (corinhos). Não se requer capacidade de afinação ou ritmo. A participação é livre. Todos podem e devem cantar. Há igrejas que dão mais atenção e ênfase aos hinos do hinário; outras preferem o uso mais frequente de corinhos; outras ainda, procuram manter um equilíbrio entre os dois tipos de cânticos. Parece-nos recomendável esta última postura.
Infelizmente temos visto igrejas em que, quando se está cantando corinhos, os membros mais velhos não participam, e, em contrapartida, os jovens não cantam hinos tradicionais do hinário. Parece que cada grupo acha que o seu jeito de cantar é o único válido e aceitável a Deus. Isto é um mal dentro das igrejas. Todos devem participar igualmente de todos os cânticos, sejam hinos ou corinhos.
Os hinos do hinário devem ser cantados respeitando-se as partituras, no tempo e ritmo adequados ao espírito de cada hino. É comum as igrejas cantarem "arrastando" o ritmo, ou fazendo "paradas" entre linhas do hino, que interrompem a cadência correta. Hinos que devem ser vibrantes são cantados de modo "pesado" e desanimado. Uma sugestão para corrigir estes erros: o líder de música da igreja (geralmente o regente do coro) pode reger os hinos, preparando-os previamente junto com o organista, tecladista ou pianista acompanhador.
O cântico dos corinhos também tem suas falhas: muitas vezes acompanhados ao violão ou guitarra, são cantados em tons confortáveis para o instrumentista, em vez deste procurar o tom mais confortável para a congregação. Com isso nos vemos obrigados a fazer malabarismos com nossas gargantas, para conseguir cantar em tom excessivamente grave ou agudo. Os instrumentistas acompanhadores devem prestar atenção a este detalhe.
Outra falha comum cometida por dirigentes de cultos e reuniões: "Vamos cantar o hino n.º tal, mesmo assentados". A melhor posição para cantar é sempre em pé. Na posição sentada, o conteúdo do abdome comprime o diafragma para cima, diminuindo o fôlego necessário para cantar com mais facilidade e melhor emissão da voz.
Uma observação que acho relevante: movimentos espontâneos do corpo ao som de uma música bem ritmada, e o uso de palmas acompanhando o ritmo não devem ser proibidos. A Bíblia conclama os povos a baterem palmas (Sl. 47.1) e a louvar com danças (Sl. 150.4). "Decência e ordem" (1 Co. 14.40) são absolutamente necessários, mas não devem ser confundidos com repressão às manifestações espontâneas e biblicamente legítimas de alegria e adoração.
b) Grupos vocais especiais: geralmente existem nas igrejas grupos de vários tipos, agrupados por idade ou centros de interesse (gosto por tipos musicais específicos, por exemplo): coros infantis, conjuntos de adolescentes e jovens, trios, quartetos, conjuntos masculinos e femininos, coro adulto, e mesmo solistas.
A formação destes grupos pressupõe um aprendizado mais apurado dos cânticos a serem executados, pois serão ouvidos pela congregação, e portanto espera-se que sejam afinados, que o canto seja agradável ao ouvido (Sl. 33.3: "tangei com arte e com júbilo") e a apresentação visual do grupo seja bonita e discreta, para não quebrar a espiritualidade do culto. Cânticos e hinos desafinados ou estridentes e indumentárias espalhafatosas não ajudam a conduzir os ouvintes a um estado espiritual mais elevado. Pelo contrário, atrapalham.
A música pode ser movida, lenta, alegre, suave, triste, etc.; pode ter harmonia tonal ou dissonante, mas deve ser executada de maneira correta. Se for tocada com excesso de volume, ou "gritada", ou desafinada, provocará sensações desagradáveis nos ouvintes. Aliás, o excesso de volume pode até mesmo prejudicar fisicamente o aparelho auditivo (trauma acústico).
A música no culto significa louvor e adoração e não deve ser usada como "desabafo" ou "terapia" individual ou de grupo. Analogamente, o uso de roupas e maquiagens muito diferentes da moda vigente, ou excessivamente "chamativas", provocará nos presentes sensações e comentários que desviarão a atenção da figura central do culto, que é a Pessoa de Jesus Cristo.
Preferivelmente, estes grupos devem ser dirigidos por pessoas tecnicamente capacitadas, com conhecimento musical e liderança, além de uma vida espiritual saudável, naturalmente. Os participantes devem ser selecionados, pois aqui não basta só a vontade de cantar; deve haver um mínimo de afinação. Há pessoas que são limitadas neste aspecto: não conseguem afinar, mesmo cantando em uníssono, quanto mais a vozes! Estas pessoas não devem participar dos grupos especiais, devendo limitar-se a participar do canto congregacional. Devem compreender que Deus não dá os mesmos dons a todos, e a participação em grupos vocais requer no mínimo o dom da afinação.
Nos conjuntos infantis há a oportunidade de ensinar as crianças a cantar corretamente: assim, o dirigente deve procurar informação de como lidar com a voz infantil (há publicações com esta orientação). Na maioria dos conjuntos infantis que conheço, as músicas são cantadas em tonalidade inadequada à voz infantil, fazendo com que as crianças busquem instintivamente uma tonalidade mais confortável, destoando umas das outras e do acompanhamento. Outro erro comum em conjuntos infantis é o dirigente cantar sempre junto, mesmo no momento da participação no culto ou reunião. Isto gera um sentimento de insegurança nas crianças, que acharão que o próprio dirigente não confia na capacidade delas. Recomendamos corrigir e evitar estes erros em nossas igrejas.
Uma recomendação a ser seguida tanto no canto congregacional como pelos conjuntos vocais e solistas: Cuidado com as letras dos cânticos! Tanto para os hinos do hinário, como para os corinhos, este é um aspecto muito importante. Antes de se programar para cantar um hino ou corinho, deve se analisar a letra do mesmo, do ponto de vista gramatical e doutrinário. Em muitos cânticos mais modernos há erros de concordância imperdoáveis: "...és incomparável em Sua Majestade...".
Mesmo não havendo erro gramatical, vários hinos do hinário estão escritos num português já arcaico. Cantamos sobre "vagas procelosas" e "fragoso alcantil", sendo que com certeza muitos dos que estão cantando nem sequer sabem do que se trata isso. Visitantes presentes acharão, no mínimo, ridículo. Doutrinariamente também vemos erros: "Conheci a Cristo, dei meu coração, e Ele em troca disso deu-me a Salvação." Ora, a salvação não nos é dada em troca de nada: é dom gratuito (Rm. 6.23; Ef. 2.8).
Outro exemplo de erro doutrinário: "...eu tenho de Jesus saudade". Como podemos ter saudade de alguém que está conosco todos os dias, conforme Ele mesmo prometeu (Mt. 1.23; 28.20)? O mesmo hino diz "...passarinhos, belas flores querem me encantar...", numa insinuação de que as pequenas maravilhas da Criação de Deus (Gn. 1.20,21; Sl. 50.11) são tentação para nos afastar d'Ele! Erros como estes, aparentemente inocentes, podem ser mau testemunho para não crentes e novatos na fé.
Em tempo: o hino a que me refiro tem ainda outros erros, mas tem uma melodia muito bonita e muitos gostam de cantá-lo por isso. Sugiro modificá-lo como segue:
Da linda Pátria estou bem perto,
Contente estou;
Tenho em Jesus o Guia certo:
Sei que em breve vou.
Passarinhos, belas flores
Vêm me encantar;
Nestes terrestres esplendores
Eu já vislumbro o Lar.
Certo de estar no bom Caminho,
Vou prosseguir;
Qual passarinho para o ninho,
Desejo aos céus subir.
De Jesus a vinda é certa:
O dia eu não sei,
Mas Ele manda estar alerta.
Eu para o céu irei.
Cristo Jesus me fez promessa
De me levar;
Meu coração está ansioso:
Eu quero já voar.
É tão grande o meu pecado,
Bem culpado sou;
Mas no Seu sangue fui lavado:
Eu para a Pátria vou.
Ainda quanto ao uso racional da música na Igreja: temos notado um excesso de músicas nos cultos, principalmente em cultos especiais. Além de dois ou três hinos pela congregação, temos geralmente três ou quatro corinhos, os quais invariavelmente são cantados mais de uma vez cada um; participam num mesmo culto vários conjuntos musicais da igreja, e o culto torna-se cansativo. Ao chegar a hora da mensagem, ninguém mais está com capacidade de concentração.
O pastor, ou na sua ausência o responsável pela liturgia, deve determinar quem vai participar do culto, e quantos e quais hinos ou cânticos serão cantados ou apresentados, evitando os excessos e adequando os cânticos à liturgia. Muitos dirigentes alegam que todos querem participar e têm medo de melindrar. Vamos lembrar que este medo nunca esteve presente na ação de Jesus e dos apóstolos. Os cantores, instrumentistas e conjuntos da igreja devem compreender que estão para colaborar e não para serem agradados, nem para aparecer.
CONCLUSÃO
Nesta breve análise, procuramos orientar as igrejas sobre aspectos básicos do uso da música na liturgia. Não pretendo ter esgotado o assunto. Não pretendo, também, que estas recomendações sejam adotadas como regra única para todas as igrejas. Trata-se de sugestões baseadas na Palavra de Deus e em minha experiência pessoal como cantor, regente e médico. Cada igreja deverá avaliá-las e decidir se e como aplicá-las, conforme suas características locais. Lembro a recomendação do apóstolo Paulo: "Julgai todas as coisas, retende o que é bom" (1 Ts. 5.21).
Que o Senhor nos capacite para cada vez melhor adorá-Lo, louvá-Lo e servi-Lo.
Autor desconhecido











Cada um deveria ler a Bíblia, e cada um teria um entendimento diferente da Sagrada Escritura, negando-se, assim, que haja realmente um sentido objetivamente verdadeiro e desejado por Deus. Nega-se, desse modo, que haja "uma só fé". Deus teria feito a Bíblia como uma "Obra Aberta": ela teria milhares de sentidos possíveis, todos possivelmente verdadeiros, mas nenhum exclusivamente verdadeiro e único.